Alinhavado é uma performance que apresenta uma máquina de costura suspensa a três metros de altura acionada pelos movimentos repetitivos do performer – de sua ação surge uma linha costurada num papel imenso, que aos poucos acumula-se no chão. Através de caixas de som, microfonias e ruídos emitidos pela máquina ocupam o espaço.
É de forma simples e inteligente que o artista Flamínio Jallageas lida com temas complexos da produção contemporânea em artes visuais e repensa o papel do corpo como elemento de resignificação da imagem. Em "Alinhavado", o movimento repetitivo do performer adiciona o tempo na equação da imagem visual – há um antes e um depois da ação. A relação de dependência entre corpo e máquina desloca conceitos de um para o outro, pois é a ação repetitiva, monótona e mecânica do performer que dá vida ao equipamento. Papel, linha, máquina de costura e corpo unem-se no movimento que dá origem ao traço contínuo que busca o chão. Terminada a performance, os pedaços acumulados de papel alinhavado tornam-se resíduo poético da ação e retratam o vazio que se instaura na ausência do corpo.
Num momento em que as propostas performáticas em artes visuais parecem se esgotar pelo cansaço de contínuas reapropriações, Jallageas apresenta um enfoque inovador para o uso do corpo, não somente como suporte, mas como chave de resignificação da imagem visual.
Juliana Moraes
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bailarina, performer, mestre pelo Laban Centre (Londres) e doutorada em Artes na UNICAMP.janeiro de 2007